O Dízimo é Obrigatório para o Cristão? Um Estudo Bíblico
Introdução
O dízimo é um dos assuntos mais debatidos entre os cristãos. Enquanto algumas igrejas ensinam que ele continua sendo uma obrigação, outros entendem que, após a Nova Aliança estabelecida por Jesus Cristo, essa exigência não permanece para a Igreja. Este estudo apresenta argumentos bíblicos que sustentam a segunda posição, permitindo que cada leitor examine as Escrituras e tire suas próprias conclusões.
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1. O dízimo fazia parte da Lei de Moisés
A primeira observação importante é que o dízimo foi instituído como parte da Lei dada ao povo de Israel.
Levítico 27:30
«"Também todas as dízimas da terra... são do Senhor."»
O dízimo era uma determinação da Lei mosaica, assim como os sacrifícios, as festas religiosas, a circuncisão e as leis alimentares.
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2. O objetivo do dízimo era sustentar os levitas
Os levitas não receberam terras quando Israel entrou em Canaã.
Números 18:21
«"Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança."»
Portanto, o dízimo era uma forma de sustento da tribo sacerdotal.
Hoje não existe mais sacerdócio levítico em funcionamento.
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3. O dízimo era composto principalmente de alimentos
Muitas pessoas imaginam que o dízimo sempre foi dinheiro.
Entretanto, a Bíblia mostra que normalmente consistia em:
- trigo
- vinho
- azeite
- frutas
- animais
Deuteronômio 14:22-23
O dinheiro era usado apenas quando a distância dificultava o transporte dos produtos (Deuteronômio 14:24-26).
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4. Jesus viveu sob a Lei
Jesus mencionou o dízimo algumas vezes.
Por exemplo:
Mateus 23:23
«"Vocês dão o dízimo da hortelã... e negligenciam os preceitos mais importantes da Lei."»
Entretanto, naquele momento:
- a cruz ainda não havia ocorrido;
- a Nova Aliança ainda não estava em vigor;
- os judeus continuavam debaixo da Lei.
Assim, Jesus estava falando aos judeus que viviam sob a Lei mosaica.
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5. Após a cruz, o Novo Testamento nunca ordena que a Igreja pague dízimos
Depois da ressurreição, os apóstolos escreveram diversas cartas ensinando:
- salvação
- ceia
- batismo
- casamento
- dons espirituais
- liderança
- disciplina
Mas nunca aparece uma ordem para que os cristãos entreguem o dízimo.
Se fosse uma obrigação permanente, seria esperado que houvesse uma instrução clara.
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6. O ensino apostólico é sobre ofertas voluntárias
Paulo ensina outra prática.
2 Coríntios 9:7
«"Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama quem dá com alegria."»
Observe que Paulo não estabelece um percentual.
A contribuição é:
- voluntária;
- planejada;
- proporcional às possibilidades;
- feita com alegria.
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7. O Concílio de Jerusalém não exigiu o dízimo
Em Atos 15, os apóstolos decidiram quais exigências seriam feitas aos gentios convertidos.
Foram mencionadas apenas algumas orientações específicas.
Nenhuma delas foi o pagamento do dízimo.
Se fosse indispensável, seria uma ocasião natural para mencioná-lo.
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8. Abraão deu o dízimo apenas uma vez
Alguns afirmam que o dízimo existia antes da Lei.
É verdade que Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque.
Gênesis 14
Porém:
- aconteceu apenas uma vez;
- foi sobre os despojos de guerra;
- não foi um mandamento;
- não se tornou uma prática regular registrada nas Escrituras.
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9. Jacó também fez um voto voluntário
Gênesis 28:20-22
Jacó prometeu entregar o dízimo caso Deus o abençoasse.
Novamente:
- foi um voto pessoal;
- não uma ordem universal.
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10. A Nova Aliança enfatiza a generosidade
O Novo Testamento ensina princípios como:
- generosidade;
- liberalidade;
- cuidado com os necessitados;
- sustento dos ministros do evangelho.
Mas tudo baseado no amor e não numa obrigação legal.
1 Coríntios 16:2
Cada um deve separar conforme prosperar.
Não existe percentual obrigatório.
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11. Quem vive pela graça não está debaixo da Lei
Romanos 6:14
«"Não estais debaixo da Lei, mas da graça."»
Gálatas 3:24-25
A Lei serviu como tutor até Cristo.
Com a vinda da fé, os cristãos não permanecem sob esse tutor.
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12. Sustentar a obra continua sendo um dever cristão
Dizer que o dízimo não é obrigatório não significa que o cristão não deva contribuir.
A Bíblia ensina claramente o sustento da obra de Deus.
Gálatas 6:6
Quem recebe instrução deve repartir seus bens.
1 Timóteo 5:17-18
Os que trabalham na pregação são dignos de sustento.
A diferença é que a contribuição é voluntária, generosa e proporcional, e não apresentada como um percentual obrigatório.
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Conclusão
Os principais argumentos bíblicos para entender que o dízimo não é obrigatório para os cristãos da Nova Aliança são:
- o dízimo fazia parte da Lei de Moisés;
- destinava-se ao sustento dos levitas;
- era composto principalmente por produtos da terra;
- Jesus falou sobre o dízimo antes da Nova Aliança entrar em vigor;
- os apóstolos nunca ordenaram o dízimo às igrejas;
- o Novo Testamento ensina ofertas voluntárias e generosas;
- o Concílio de Jerusalém não impôs essa prática aos gentios;
- Abraão e Jacó deram o dízimo em circunstâncias específicas, não como mandamento universal;
- a contribuição cristã é guiada pela graça, pelo amor e pela disposição do coração.
Assim, muitos estudiosos concluem que o cristão é chamado a contribuir fielmente para a obra de Deus, mas não está biblicamente obrigado a entregar exatamente 10% de sua renda como requisito da Nova Aliança.