FORMAÇÃO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO
Outubro de 2009
INDICE:
I – Introdução
II – A história do cânon do Antigo Testamento
III – O cânon do Antigo Testamento
IV – Conclusão
V - Bibliografia
I - Introdução
Cânon, o sentido desta palavra tem diversas aplicações, entre elas , Escrituras Sagradas, consideradas como regra de fé e prática.
A palavra cânon, é de origem grega.
Os livros canônicos são aqueles que se conforma com a regra ou padrão da inspiração e autoridade divina.
II - A História do cânon do Antigo Testamento
Os autores sagrados receberam as suas revelações e ou visões da parte de Deus, e as comunicaram verbalmente. Foram, contudo orientados a registrarem de forma escrita aquelas mensagens para a posteridade. ( Ex 17.14; 24;4-7; 34.27,28; Ne 33.02; Dt 3.22,24; Jz 1.8; 1º Reis 4.1-3; 1º Cr 29.29; Is 30.8; Je 30.2, 36.2-4 e At 7.38.
O cânon não é o produto de uma reunião conciliar, num determinado momento histórico, mas foi um gradual reconhecimento de autoridade divina pelos judeus. Então esta coleção de livros foi agrupada e fixada pela igreja.
Os hebreus usavam alguns princípios de guia para a determinação da canonicidade de um determinado livro.
Dentro de uma cronologia de canonização, das Escrituras Hebraicas, os primeiros livros considerados como sagrados, são os que compõem a lei. Sendo eles os únicos livros que compõe o cânon samaritano.
Os próximos livros a serem canonizados foram as profecias, que registradas, provaram serem divinas ao se cumprirem. ( Je 36.06; Zc 1.4-6, 7.7 )
Na época do silêncio profético ( após 400 AC ), muitos livros históricos e poéticos circulavam entre os judeus. Alguns reconhecidamente sagrados outros reconhecidamente espúrios e pouco duvidosos. A aceitação destes livros pelos judeus seguia alguns critérios.
Algumas considerações:
Por volta de 250 AC, na versão do Velho Testamento hebraico para o grego, foram incluídos alguns destes livros ainda postos em dúvida. Mais tarde, no entanto, os judeus claramente os rejeitaram, porém os helênicos já os consagraram em seu cânon. Deste cânon “ septuaginta “ proviria a “ vulgata latina de Jerônimo “, e mais tarde a versão católica.
Jerônimo, entre 385 e 405 AD, traduziu para o latim ( vulgata latina ) a versão da septuaginta que se tornou a versão católica romana. Na reforma, Lutero foi ao hebraico e surpreendeu-se ao não encontrar os apócrifos, fazendo então uma nova versão para o alemão do cânon judeu.
Em 1546, no Concilio de Trento, com contra-reforma, os católicos confirmaram o cânon da vulgata latina como sagrado
III - O Cânon do Antigo Testamento
A literatura sagrada evoluiu gradativamente e foi cuidadosamente vigiada. Os dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra, e que eram a constituição de Israel, foram guardados em uma arca, Ex 40.20.
Os estatutos foram registrados no livro do pacto, Ex 20.23, até capítulo 23.33; 24.7.
O livro da Lei escrito por Moisés, era colocado ao lado da arca, Dt 31.24-26. A esta coleção se ajuntaram os escritos de Josué, Js 24.26
Samuel escreveu a lei do reino e a depositou diante do Senhor, 1Sm 10.25
Em tempo do rei Josias, o livro da lei do Senhor, o bem conhecido livro, foi encontrado no templo e reconhecido pelo rei, pelos sacerdotes, pelo povo, pelas autoridades e pelos anciãos. 2 Reis 22.8-20. Do livro encontrado se tiram cópias, Dt 17.18-20.
Os profetas reduziram as suas palavras a escrito, Jr 36. 32, e eram familiarizados reciprocamente com os seus escritos que os citavam como padrões autorizados, Is 2. 2-4; Mq 4. 1-3.
A lei e os profetas eram tidos como produções autorizadas; inspiradas pelo Espírito Santo, e cuidadosamente guardadas por Jeová, Zc 1. 4; 7. 7, 12.
A lei de Moisés compreendendo os cinco primeiros livros da Bíblia, circulava como uma porção distinta da literatura sagrada no tempo de Esdras em cujas mãos esteve, Ed 7. 14, sendo douto no conhecimento dela, 6, 11. A pedido do povo, ele leu publicamente no livro da Lei, Ne 8. 1, 5, 8. Por este tempo, e antes de o cisma, entre os judeus e os samaritanos, chegar a seu termo, o Pentateuco foi levado para Samaria.
O colecionamento dos profetas menores em um grupo de doze, é confirmado por Jesus, filho de Siraque, como em voga, no ano 200 A. C. Ecclus 49. 10. Sua linguagem dá a entender a existência do grande grupo formado pelos livros de Josué, Juizes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, que formavam a segunda divisão do cânon hebreu, caps. 46-49.
A existência da tríplice divisão das Escrituras em “Lei, Profetas e os outros que os acompanharam”; ou “a Lei, os Profetas e os outros livros”, ou, “a Lei, os Profetas e o resto dos livros”, é confirmada já no ano 182 A. C. juntamente com a existência de uma versão grega da mesma época, atestada pelo neto de Jesus, filho de Siraque (Ecclua, prólogo)
Em uma passagem do 1 Mac 12. 9, datada do ano 100 A. C. se faz referência a livros sagrados “que estão em nossas mãos.” O judeu Filo, que nasceu em Alexandria no ano 20 A. C. e ali morreu no reinado de Cláudio, possuía o cânon, e citou quase todos os livros, com exceção dos Apócrifos
O Novo Testamento cita as “Escrituras” como escritos de autoridade religiosa, Mt 21. 42; 26. 56; Mc 14. 49; Jo 10. 35; 2 Tm 3. 16, como livros santos em Rm 1. 2; 2 Tm 3. 15, e como Oráculos de Deus, em Rm 3. 2; Hb 5. 12; 1 Pe 4. 11; e menciona a tríplice divisão em Moisés, Profetas e Salmos, em Lc 24. 44, cita e faz referências a todos os outros livros, exceto Obadias e Naum, Esdras, Ester, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes.
Josefo que foi contemporâneo do apóstolo Paulo, cujos escritos datam do ano 100 A. D., falando do seu povo, diz: “Nós temos apenas 22 livros, contendo a história de todo o tempo, livros em que “nós cremos”, ou segundo geralmente se diz, livros aceitos como divinos”, e o mesmo escritor exprime em termos bem fortes, afirmando a exclusiva autoridade destes escritos, e continua, dizendo: “Desde os dias de Artaxerxes até os nossos dias, todos os acontecimentos estão na verdade escritos; mas estes últimos registros não têm merecido igual crédito, como os anteriores, por causa de não mencionarem a sucessão exata dos profetas.
Há uma prova prática do espírito em que tratamos as nossas Escrituras; apesar de ser tão grande o intervalo de tempo decorrido até hoje, ninguém se aventurou a acrescentar, a tirar, ou a alterar uma única sílaba; faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa” .
Josefo apresenta o conteúdo das Escrituras sob três divisões:
Até aqui, os fatos. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias.
Uma extravagante legenda do fim do primeiro século da era cristã deu curso a uma tradição de que Esdras havia restaurado a lei, é mesmo o Antigo Testamento inteiro por se haverem perdidos os exemplares guardados no Templo, Ne 14. 21, 22, 40. Afirma a tal legenda que os judeus da Palestina, naquela época, reconheciam os livros canônicos, como sendo vinte e quatro.
Uma passagem de duvidosa autenticidade e de data incerta, talvez escrita 100 anos antes de Cristo em 2 Mac 2. 13, alude à atividade de Neemias em conexão à segunda e terceira divisão do cânon. Ireneu transmite a tradição assim: “Depois que os sagrados escritos foram destruídos, no exílio, sob o domínio de Nabucodonosor, quando os judeus, depois de setenta anos, voltaram do cativeiro para a sua pátria, Ele (Deus) nos dias de Artaxerxes, inspirou a Esdras, o sacerdote, da tribo de Levi, para arranjar de novo todas as palavras dos profetas dos dias passados, e restaurar para uso do povo a legislação de Moisés.”
Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.
O Pentateuco, como trabalho de Moisés, compreendendo a incorporação das leis fundamentais da nação, formou uma divisão do cânon, e com direitos firmados na cronologia, ocupou o primeiro lugar na coleção dos livros.
A segunda divisão dos livros teve a designação de proféticos por serem escritos pelos seus autores assim chamados. Estes livros eram em número de oito, Josué, Juizes, Samuel, e Reis, denominados os primeiros profetas, e Isaias, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, denominados os últimos profetas.
O núcleo da terceira divisão é formado de seções de livros de Salmos e Provérbios. Tinham duas feições distintas: eram essencialmente poéticos e os seus autores não eram oficialmente profetas. Atraíram para si todas as outras produções de literatura semelhante.
A oração de Moisés no Salmo 90, não foi escrita por profeta, mas foi colocada nesta divisão dos livros da Escritura por ser produção poética.
Pela mesma razão, as Lamentações de Jeremias, escritas por profeta, e sendo poesia, entraram na terceira divisão do cânon hebreu. Uma razão adicional existiu para separá-las de Jeremias, é que eram lidas por ocasião dos aniversários da destruição de ambos os templos, e por isso, foram postas com os quatro livros menores que eram lidos por ocasião de outros quatro aniversários, Cânticos, Rute, Eclesiastes e Ester, e formavam os cinco rolos, ou Megilloth.
O livro de Daniel foi incluído nesta parte por ter sido escrito por homem que, posto dotado de espírito profético, não era oficialmente profeta. Com toda a probabilidade, as Crônicas foram escritas por um sacerdote e não profeta, e por esta razão, foram postas na terceira divisão do cânon.
Não sabemos por que estes livros se acham nesta divisão, quando é certo que alguns deles e partes deles que agora se acham nela, já existiam antes de Malaquias e Zacarias na segunda divisão.
É conveniente que se diga que, conquanto o conteúdo das diversas divisões do cânon permanecessem inalteráveis, a ordem dos livros da terceira divisão variou de tempos em tempos; e mesmo na segunda divisão o Talmude dá Isaias entre Ezequiel e os Profetas Menores. Esta ordem dos quatro livros proféticos, Jeremias, Ezequiel, Isaías, e os Profetas Menores, foi evidentemente determinada pelo tamanho, dando a prioridade aos de maior volume. Logo no fim do primeiro século da nossa era, o direito de certos livros figurarem na terceira divisão do cânon, foi disputado. Não havia dúvida em pertencerem ao cânon. As discussões versaram sobre o conteúdo dos livros e sobre as dificuldades de harmonizá-los entre si. Estes debates, porém, eram meras exibições intelectuais. Não havia intenção de excluir do cânon qualquer destes livros, e sim tornar bem claro o direito que ele tinham aos lugares que ocupavam.
A integridade dos Escritos:
Exemplares do A.T. impressos em 1.488 e 1.516 d.C., concordam com os exemplares atuais. Portanto a Bíblia como a possuímos hoje, já existia há 400 anos passados.
Quando essas Bíblias foram impressas, certo erudito tinha em seu poder mais de 2.000 manuscritos. Esse número é sem dúvida suficiente para estabelecer a genuinidade e credibilidade do texto sagrado, e tem servido para restaurar ao texto sua pureza original, e fornecem proteção contra corrupções futuras (Ap.22:18-19; Dt.4:2;12:32).
Enquanto a integridade canônica da Bíblia se baseia em mais de 2.000 manuscritos, os escritos seculares, que geralmente são aceitos sem contestação, baseiam-se em apenas uma ou duas dezenas de exemplares.
As quatro Bíblias mais antigas do mundo, datadas entre 300 e 400 d.C., correspondem exatamente a Bíblia como a possuímos atualmente.
Harmoniosamente, os Livros do Antigo Testamento, ficaram assim distribuidos:
1 - O Pentateuco ( Torá para o judeu ) – O livro da LEI.
2 - Histórico – As ações do povo de Deus
3 - Poéticos - As experiências do povo de Deus
4 - Proféticos – Prediz os acontecimentos de Cristo. Seu reino, Sua redenção pela graça. Tanto que mostrou que a lei seria cumprida em Cristo.
Maiores:
Menores:
IV – Conclusão
Pela eterna sabedoria de Deus, a unção do Espirito Santos e a graça contida no nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Homens escolhidos pelo seu temor, cheios do Espirto Santo, escreveram aos povos, para que todos tivessem o entendimento de qual era a vontade de Deus na vida do ser humano.
Muitos tentaram, tentam e continuarão tentando enganar os povos com escritos e palavras persuasivas , na expectativa de fazer com que as pessoas percam a maior promessa feita por Deus ao ser humano que é a “ SALVAÇÃO “ e através dela a conquista do “ REINO DE DEUS “.
Jesus está voltando, e que a sua miseriórdia possa nos alcançar, e todos possam dizer “ Ora Vem Senhor Jesus ‘. Maranatha.
V – Bibliografia
THOMPSON, Frank Charles D.D., Ph.D., B.B. The New Chain Reference Bible. 4th Ed, Kirkbride Bible Co.,
Pesquisa feita através dos estudos teológicos inseridos no acervo da Livraria ERDOS.
Instituto de estudos bíblicos Maranatha – Curso Básico de Teologia
Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.